Brasília – Dados do
governo federal indicam queda do desmatamento na Amazônia. Ainda assim alguns
estados exigem atenção redobrada, é o caso do Pará, alvo permanente de
preocupação das autoridades. Na última semana, servidores do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que
atuam no estado, alertaram que, nos quatro primeiros dias de agosto, foram
desmatados 57,44 quilômetros quadrados de florestas no Pará.
O dado obtido a
partir das informações do sistema de detecção de desmatamento em tempo real,
conhecido como Deter, mostra que a derrubada de árvores em todo o estado, já
corresponde a uma área de quase 6 mil campos de futebol. As imagens foram
captadas pelo satélite utilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe).
A Associação dos
Servidores do Ibama no Pará (AsIbama-PA) destacou, em nota, que “o aumento
significativo nos desmates está relacionado à falta de fiscalização”. Há quase
dois meses, os fiscais e outros funcionários do órgão estão em greve, mantendo
apenas atividades internas e operação- padrão em portos e aeroportos.
De acordo com os
servidores, os fiscais não estão indo a campo impedir a devastação das
florestas no estado. “Das quatro operações planejadas pelo Ibama para ocorrer
em julho, nenhuma foi executada, pela adesão ao estado de greve. Com isso, os
desmatamentos indicados pelo Deter deixaram de ser constatados, multados e
embargados”, destacou a nota.
Pelas contas da
associação, em menos de 30 dias, foi registrado crescimento de 245% no índice
de desflorestamento. Enquanto a taxa registrada pelos servidores, em junho, era
de 37,95 quilômetros quadrados de devastação, no mês seguinte o índice chegou a
92,98 quilômetros quadrados.
"O desmatamento
tem o efeito bola de neve. Se um vizinho desmata, ganha dinheiro, compra carro,
coloca gado no pasto e nada acontece contra ele, outros vão deixar a floresta
em pé para quê? Ele vai desmatar também", afirmou, em nota, , a analista
ambiental Cecília Cordeiro, presidente da associação de servidores no estado.
Apesar do alerta, o
Ibama garante que as atividades de fiscalização e controle do desmatamento na
Amazônia paraense continuam. Segundo informações do órgão ambiental, as
operações de fiscalização estão sendo feitas em regiões problemáticas do estado
do Pará, em municípios como Novo Progresso, Altamira e São Félix do Xingu.
“Nos últimos dias
foram detectadas extrações ilegais de madeira e polígonos de desmatamento,
sendo que os responsáveis foram identificados e responsabilizados”, acrescentou
a assessoria do órgão ambiental.
O Ibama ainda explicou
que, na região de Novo Progresso, onde agentes de fiscalização sofreram
emboscada em área de extração ilegal de madeira, a operação é feita com o apoio
da Força Nacional de Segurança Pública.
“Devido à evolução na
detecção de desmatamento e a verificação de que algumas áreas embargadas estão
sendo utilizadas para a criação de gado, já se estudam medidas para a retomada
de apreensão e doação de bovinos criados ilegalmente nestas áreas”, concluiu a
nota, informando, ainda que as operações de comando e controle serão
intensificadas pelo Ibama.
Carolina Gonçalves
Repórter da Agência Brasil
Edição:
Carolina Pimentel
Fonte: Agência Brasil
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